Sessão Solene de Agradecimento aos Benfeitores, Beneméritos e Voluntários

No passado dia 8 de Dezembro celebrou a Misericórdia o seu 94º aniversário, ocasião de reunião e convívio fraterno da irmandade e de homenagem e agradecimento àqueles ajudam a instituição a cumprir a sua missão. Para o efeito realizou-se uma sessão solene no salão nobre da instituição, onde foi prestada homenagem ao “irmão” benfeitor Sr. Augusto Luís Silva, ao “irmão” benemérito Dr.Paulo César Lima Cavaleiro e ao grupo de voluntários da instituição.

As palavras proferidas pelo provedor da Santa Casa da Misericórdia:

“A Santa Casa da Misericórdia, que está próxima de comemorar o seu primeiro centenário, é bem o espelho do trabalho e das doações que os seus Benfeitores e Beneméritos por ela realizaram. Tamanha obra, que tanto nos engrandece, só se tornou realidade porque tivemos connosco Mulheres e Homens bons, de elevada formação moral e que se preocuparam em minorar as dificuldades dos mais desfavorecidos da fortuna, dos doentes, dos idosos e das crianças.

Reparem nas paredes deste salão nobre e encontram grande parte da nata da sociedade sanjoanense dos últimos 95 anos!!!

Queremos continuar a adicionar mais personalidades com estas características e, felizmente, na nossa terra as devoções continuam a revelar-se.

Durante dois mandatos, seis anos, tive como companheiro na Mesa Administrativa o Senhor Augusto Luís da Silva, que, sempre esteve vocacionado para ajudar a resolver os problemas que quotidianamente vão surgindo nesta instituição.

Primeiro foram as cadeiras que se encontravam deterioradas, depois os maples dos idosos que necessitavam de novas coberturas, ontem eram as cortinas do Lar que já não estavam capazes, depois os aquecedores que faltavam, etc., etc. Para todas estas carências, saindo do seu bolso ou de donativos que angariava, ele sempre encontrou solução, e estes problemas foram sendo resolvidos. A sua afeição à nossa Instituição manifesta-se também nas frequentes visitas que faz às nossas diversas valências, para se inteirar das carências existentes e do bom funcionamento das mais diversas actividades. São também muito apreciados pelas nossas crianças do Centro de Acolhimento Temporário os lanches que, com alguma frequência, promove em confeitarias de S. João da Madeira.

Senhor Augusto Luís da Silva, nosso novo “Irmão Benfeitor”, bem-haja por todo o auxílio que tem prestado à Santa Casa da Misericórdia.

Há pouco solicitei a vossa atenção para a galeria de quadros que ilustram uma plêiade homens e mulheres que muito se distinguiram em S. João da Madeira. Reparem que todos são pessoas já com uma certa idade, portanto libertas dos problemas e canseiras com os filhos menores, e com uma vida económica estabilizada. A disponibilidade mental e física para se começar a dedicar algum tempo e esforço em prol dos mais desfavorecidos, normalmente, só aparece depois da meia-idade.

Pois bem, hoje apresento-vos um caso radicalmente diferente.

Trata-se do nosso “Irmão” Dr. Paulo César Lima Cavaleiro que, ainda muito jovem se interessou pela nossa instituição. Com 35 anos entrou como deputado para a Assembleia da República e de imediato se disponibilizou para, dentro das suas funções, ajudar a Santa Casa da Misericórdia de S. João da Madeira. Como Provedor amiudadamente recorri aos seus serviços: quer para alertar os decisores da Nação para as consequências de determinadas medidas, quer para conseguir o seu apoio e empenho na consecução de outras. Dentro deste muito frutuoso trabalho, ao longo de seis anos, quero destacar duas realidades em que o Dr. Paulo César Lima Cavaleiro se destacou:

1ª – O acompanhamento que fez de todo o processo de transferência da administração do hospital para o seu legítimo dono, a Santa Casa da Misericórdia. Tanto na Assembleia da República, como em S. João da Madeira, contámos sempre com o seu esclarecido apoio na defesa intransigente do nosso hospital e da nossa instituição. A sua acção foi muito positiva para o bom desfecho deste processo.

2ª – A ele se deve a obtenção de um subsídio de 150.000,00 euros, a fundo perdido, que obtivemos do Ministério da Segurança Social. No início na minha provedoria, promovemos uma candidatura ao Fundo de Socorro Social para obter um donativo que pudesse ajudar a reequilibrar as nossas depauperadas finanças. Passaram-se anos sem resposta e sem perspectivas de uma decisão favorável. Então, resolvi recorrer aos seus bons ofícios. Interessei-o sobre o assunto e solicitei a sua colaboração. O Dr. Paulo Cavaleiro meteu os pés ao caminho, bateu às portas certas, falou com os decisores e, pouco depois, começámos a ter notícias favoráveis. Em Julho deste ano chegou a confirmação oficial: a Misericórdia de S. João da Madeira iria receber 150.000,00 euros do Fundo de Socorro Social.

Qualquer destas duas ocorrências é digna de grande louvor e levaram os “irmãos” em Assembleia Geral a distingui-lo com a elevação a Benemérito.

Muito agradecemos ao Dr. Paulo Cavaleiro tudo o que fez pela nossa Instituição e queremos continuar a contar com a sua colaboração, pois adivinhamos que vai ter um futuro brilhante de trabalho em prol da nossa terra.

Ser agradecidos àqueles que devotadamente ajudam a instituição a alcançar os seus fins é também uma característica da nossa Santa Casa da Misericórdia de S. João da Madeira.

Muito obrigado aos homenageados.”

Serviu, ainda esta ocasião especial para o Sr. Provedor fazer um agradecimento público ao grupo de voluntários, com as seguintes palavras:

“Estamos aqui reunidos para prestarmos um tributo de gratidão, aqueles que voluntariamente se disponibilizam a ajudar a Misericórdia. São muitos os que anonimamente contribuem com o seu tempo, a sua sabedoria, a sua paciência e a sua disponibilidade para acompanhar os nossos idosos e as nossas crianças, sobretudo as do Centro de Acolhimento. É precisamente entre a população mais vulnerável da nossa instituição que recaem as atenções destes voluntários. O afecto, a palavra terna e amiga, o tempo quase ilimitado de atenção, são necessidades essenciais dos seres humanos mais carentes. Pois são estes voluntários que, de algum modo, complementam e humanizam a actividade prestada pelas nossas colaboradoras, sempre atentas ao serviço, mas nem sempre com possibilidade de, no momento oportuno, libertar tempo para esses cuidados.

Estou certo que os voluntários não necessitam do nosso reconhecimento público da sua acção, mas compete à administração da Santa Casa demonstrar esse reconhecimento e ao mesmo tempo publicitar a sua acção, que poderá ser um exemplo e um chamariz para tantos outros sanjoanenses.

Os voluntários, sei bem, que, como pessoas de bem, se sentem muito gratos por verificarem que estão a ajudar os seus semelhantes que se encontram em dificuldades. Essa é a recompensa e mais-valia que procuram e que alimenta os seus corações.

Muito obrigado.”

A cerimónia terminou com o já habitual almoço de aniversário da instituição, que simultâneamente, serve de pretexto anual para o encontro dos irmãos da misericórdia, e como evento de angariação de fundos para a actividade social da instituição.

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