Visita do Bispo Auxiliar do Porto, D. António Augusto

No passado dia 31 de Maio, recebeu a Misericórdia a visita do Bispo Auxiliar do Porto, com propósito de abençoar as novas instalações de ampliação da Unidade de Cuidados Continuados, bem como, assinalando o ano Jubilar da Misericórdia, nos ajudar a reflectir sobre a actualidade das obras de misericórdia, que são o pilar da acção desta instituição.

Assim, a depois de abençoadas as instalações e feita a visita por parte do Sr. Bispo Auxiliar aos doentes que esta Misericórdia acolhe e trata, decorreu no Salão Nobre a conferência sobre as 14 Obras de Misericórdia, que o Sr. Provedor, José António Pais Vieira, abriu desta forma:

“É para nós uma suma honra recebê-lo, senhor D. António Augusto.

Hoje estamos aqui numa dupla qualidade. Queremos continuar a comemorar o nonagésimo quinto aniversário da fundação da Santa Casa da Misericórdia de S. João da Madeira e também assinalar o Ano Jubilar da Misericórdia decretado pelo Santo Padre, o Papa Francisco.

Noventa e cinco anos, quase um século, é muito tempo, e só uma instituição com um múnus tão elevado é capaz de durante quatro gerações reunir ao seu serviço tantas boas vontades que permitiram manter-se sempre ativa e atuante. Nascemos para servir os mais desfavorecidos e é neles que está permanentemente concentrada a nossa atenção.

Grande é a ação da Santa Casa na resolução dos problemas da população do nosso concelho e de todos os que nos procuram, mas também sabemos que ainda há muito por resolver. Por vezes, não fazemos mais por falta de meios financeiros, que são sempre escassos, mas outras vezes é a própria administração pública que nos coarta a disponibilidade e nos admoesta, ameaçando com elevadas coimas. Perdeu-se a compreensão para se atender aos casos sociais mais gritantes, só porque a lei é fria e não prevê algumas soluções. Com certeza que, ao atuar assim, o Estado não está a atender aos princípios da igualdade e fraternidade que desde finais do século XVIII regem a Europa moderna. Também nada terá de justiça permitir que idosos, doentes ou incapacitados, sejam abandonados nas suas precárias habitações sem qualquer tipo de assistência.

Lutamos contra as injustiças e temos ânimo para continuar este nosso esforço pois, dentro da Irmandade, são muitas as consciências que sofrem com o sofrimento dos mais carenciados.

A nossa Misericórdia não é uma fria instituição que se limita a prestar cuidados aos mais desfavorecidos porque contratualizou com o Estado esses serviços. Nós somos muito mais, porque temos alma e acreditamos com fervor que o amor ao próximo tem de ser o principal motor da nossa ação e será ele que nos permitirá realizarmo-nos como humanos.

Quis dar-nos a honra de vir hoje até nós sua excelência, Senhor Bispo, D. António Augusto. É o primeiro contacto que temos mas encontra-se na linha das boas relações e cooperação estreita que caracteriza o relacionamento entre as Misericórdias e a Igreja Católica. A Diocese do Porto tem primado pela atenção que disponibiliza à Santa Casa da Misericórdia de S. João da Madeira.

Recentemente, e integrado na procissão da Virgem Peregrina tivemos entre nós o Senhor Bispo do Porto, D. António Francisco dos Santos, e, nos últimos anos, recebemos a visita de D. António Carrilho, D. João Lavrador e ainda de D. Manuel Clemente.

Este relacionamento estreito, estatutariamente consagrado, é para se manter, porque ambas as instituições o desejam e os frutos que daí advêm são imprescindíveis para a sociedade.

Vivemos uma época difícil. Árida de convicções. Minguada de recursos. Complexa nas questões sociais. Exuberante nas frivolidades. Mas é esta a época que nos cabe viver. E, por isso, parece-nos de aguda oportunidade o agendamento desta tarde, para refletirmos sobre a melhor forma de expressarmos os nossos valores.

Vamos pois ouvir com atenção, para meditar, a lição que nos vai trazer o novel Bispo, D. António Augusto.

 Obrigado por se dispor a estar connosco neste dia.

 

 

Comments are closed