História

hospital
A Santa Casa da Misericórdia de S. João da Madeira é uma instituição fundada em 1921, nascida do legado do benemérito Francisco José Luís Ribeiro e da vontade e acção de um grupo de insignes sanjoanenses. Integrada na tradição das Misericórdias e na acção social da Igreja Católica. A sua finalidade é a realização do bem geral através da satisfação de necessidades sociais da comunidade, no quadro do fomento dos princípios e do culto católico. Actualmente as suas grandes áreas de actividade são terceira idade, infância e juventude e família e comunidade. No contexto concelhio a Santa Casa constitui um empregador relevante com cerca de 220 postos de trabalho e envolve aproximadamente 1000 beneficiários directos, a grande maioria população jovem. Este número aumenta exponencialmente se considerarmos os agregados familiares que indirectamente beneficiam dos serviços da Santa Casa, bem como outros benefícios gerados pela sua acção na comunidade em geral. Com sede no concelho de S. João da Madeira, tem como território principal de intervenção o concelho onde se implanta, embora algumas das suas actividades ultrapassem esta área territorial e a sua actividade tenha repercussões além dos limites do concelho.

As origens

A Misericórdia nasceu pela acção de um conjunto de personalidades locais que concretizaram o desejo do benemérito Francisco José Luís Ribeiro, o impulsionador da ideia de criação de um hospital, entendido como instituição de cuidados médicos e medicamentosos, mas também de acolhimento e tratamento da indigência e mendicidade, particularmente de crianças e idosos. Nascido em meados do século XIX numa família de lavradores abastados de S. João da Madeira, o fundador viveu grande parte da sua vida no Brasil e na Argentina, onde foi representante consular do Estado português. Regressando à terra natal em 1910, Francisco José Luís Ribeiro desenvolve um conjunto de diligências no sentido de concretizar este desejo. Apesar das diligências do benemérito, só após a sua morte em 1913, se iniciou a construção do denominado Hospital de S. Francisco, vindo a constituir-se a Misericórdia como entidade responsável em 1921.

A Santa Casa nasce da iniciativa de um conjunto de personalidades da comunidade sanjoanense que se organizaram como comissão instaladora e depois como Irmandade, no espírito tradicional das obras das misericórdias implantadas em Portugal desde o século XV. Durante as primeiras décadas da sua existência e até à Revolução de Abril de 1974, a Santa Casa exerceu a sua actividade pela prestação de cuidados de saúde e pela assistência às crianças e idosos necessitados, no quadro de uma acção caritativa e de fomento dos princípios do culto católico. Neste período é importante referir o papel fundamental do conjunto de irmãos associados residentes em S. João da Madeira, mas também de personalidades da comunidade local emigradas no Brasil, quer na realização de doações quer na dedicação voluntária na manutenção e desenvolvimento das Obras da Misericórdia.

As profundas transformações ocorridas em todos os domínios pela mudança de regime em 1974, tiveram significativas implicações na actividade destas instituições, designadamente a criação do Sistema Nacional de Saúde e de nova regulação do campo da protecção e Acção Social. Á semelhança do sucedido com muitas outras Misericórdias, em S. João da Madeira, a nacionalização do hospital retirou responsabilidades de gestão, atribuindo-a ao Estado. A Santa Casa vê, assim, a sua actividade e acção originária fortemente limitada, sendo obrigada a reorganizar e estruturar a sua intervenção de novas formas, com limitações do ponto de vista dos equipamentos e recursos para o desenvolvimento da sua acção até ai, em grande medida, localizada no Hospital.

Entre outras organizações privadas de solidariedade social, as Misericórdias foram mobilizadas para a implementação do sistema de protecção social, designadamente na área da Acção Social, sob financiamento e tutela pública. Em 1983 é publicado o Estatuto das Instituições Particulares e Solidariedade Social (IPSS) atribuindo a estas instituições um amplo campo de actividade: apoio a crianças e jovens; à família; à integração social e comunitária; protecção de cidadãos na velhice, invalidez; promoção e protecção da saúde; educação e formação profissional dos cidadãos; resolução dos problemas habitacionais para as populações.

A intervenção actual

O início dos anos 80 marca um novo impulso na acção com a conclusão da construção de um novo equipamento estruturante: o Lar de Idosos “S. Manuel”. Desde então, mantendo a sua identidade e autonomia face ao Estado, a Misericórdia tem desenvolvido a sua actividade em três áreas de intervenção: na Acção Social, na Educação e na Saúde. A área da Acção Social, matriz originária da Santa Casa, é também a mais desenvolvida e consolidada, representando o maior volume de actividade. Esta área desenvolve-se em três vectores: a) terceira idade; b) infância e juventude; c) família e comunidade. Dentro destes vectores são várias as valências em actividade:

  • um lar de idosos, um centro de dia e uma casa de repouso;
  • três creches, seis centros de ATL e um centro de acolhimento temporário (para menores em risco);
  • um centro comunitário, dirigido a famílias carenciadas, e uma resposta social de sensibilização para o tratamento e reinserção social de toxicodependentes  designada de “O Trilho”, que apoia ainda doentes portadores de HIV.

Na sua actividade a Misericórdia desenvolve um vasto conjunto de respostas a necessidades sociais da comunidade local. Efectivamente, a maior parte dos utentes e clientes dos seus serviços são pessoas do concelho ou da região, em situações de vulnerabilidade social e/ou económica.